quarta-feira, 18 de agosto de 2010

SENSATEZ NA COLÔMBIA PÓS-URIBE?

Por Marcos Antonio de Souza.
Alvaro Uribe abriu as portas da América do Sul para que o imperialismo estadunidense pudesse fixar sete bases militares no coração da Amazonia, uma posição bastante estratégica numa porção territorial dotada de imensas reservas de recursos naturais, principalmente o petróleo que jorra abundantemente na Venezuela, que detém uma das maiores reservas deste combustível do mundo.
Seria um xeque-mate geopolítico cercando o subcontinente onde os governos progressistas tem adiado o projeto neoliberal engendrado pela Casabranca: pelo Atlântico através da reativação da IV Frota Naval, e agora com estas bases militares dotadas de um potencial militar altamente sofisticado, inclusive com  aeronaves de combate com autonomia de voo capaz de alcançar Brasília.
Se para invadir o Iraque de Saddam Hussein os EUA utilizaram o embuste das armas de destruição em massa,  o "diplomata" Uribe negociou pacificamente o destino dos sul-americanos sob o argumento da parceria estratégica para o combate do narcotráfico. Que tal um nobel pro Uribe?
Se o inferno já está cheio de boas intenções, esta já tem um local assegurado nos seus domínios. Se o objetivo do Plano Colombia era combater o tráfico de drogas ele foi um tremendo fracasso, uma vez que muitos anos depois de sua implementação a Colômbia segue isolada na liderança das exportações de cocaína para abastecer o mercado estadunidense e europeu fundamentalmente.
Nesta semana, dias depois de Uribe deixar a presidência do país, a Corte Constitucional da Colômbia considerou inconstitucional o acordo com os EUA por seis votos a três.
Só resta  saber se esta Corte será acatada e o acordo engavetado, ou se sofrerá algumas mudanças cosméticas para entrar em vigência, como a aprovação pelo poder Legislativo onde Santos tem o apoio da maioria dos congressistas
 Até porque que não se pode esperar uma guinada radical na política interna e externa do novo presidente, ex-ministro da defesa de Uribe.
Enquanto isso o sr. Alvaro Uribe Velez segue na sua luta pela paz mundial, agora posando de investigador especial designado pela ONU dos ataques israelenses a Frota Humanitária em águas internacionais. 
É, pelo jeito a ONU é a mesma de sempre... Só falta agora, num ato de reciprocidade, a ONU nomear Benjamin Netanyahu, assim que deixar o poder em Israel, para investigar as violações aos direitos humanos na Colômbia durante o período que Uribe esteve na presidencia, como aquela vala comum em La Macarena, em que mais de dois mil cadávares foram encontrados.
E por fim, os dois até poderiam dividir um nobel da Paz...Um brinde para a paz...

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